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CÂNCER DE MAMA EM PACIENTES JOVENS NA SERRA GAÚCHA

Um novo desafio a ser encarado de frente

Enviado dia 22/06/2017 às 10:48:42

 

             A definição de câncer de mama em mulheres jovens é controversa. Alguns autores definem como sendo a idade do diagnóstico em pacientes com menos de 35 anos, enquanto outros definem como 40 anos a idade limite. O câncer de mama é incomum em mulheres jovens, constituindo-se em 5% a 7% dos casos de acordo com estudos populacionais, sendo observado uma maior frequência de diagnósticos nos últimos anos. Segundo levantamentos do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo e da Universidade Federal de Goiás, houve um crescimento expressivo no Brasil no número de casos em todas as faixas etárias, entretanto, esse crescimento é mais preocupante em pacientes com menos de 40 anos por ser mais agressivo e difícil de detectar.

 

             Estudos demonstram que existem diversos fatores de risco relacionados ao câncer de mama, entre os quais: idade, hereditariedade, hábitos de vida (exercícios físicos, tipo de alimentação, consumo de bebida alcoólica e tabagismo), medicamentos (reposição hormonal), obesidade e alterações genéticas. Infelizmente não existem grandes estudos avaliando a prevalência em nossa região de mutações genéticas relacionadas ao câncer de mama. Nem mesmo sabemos a quantidade de agrotóxicos ingerida nas frutas e verduras ou a quantidade de hormônios encontrada em carnes e frangos.

 

             O câncer de mama nesta faixa etária geralmente apresenta características biológicas mais agressivas e maior taxa de recorrência pós-cirúrgica. As pacientes já se apresentam ao diagnóstico com tumores mais avançados. Em contrapartida, essas pacientes têm excelentes respostas com a quimioterapia neoadjuvante, ou seja, realizada antes da cirurgia. Em alguns subtipos tumorais, a taxa de resposta patológica completa chega até 60%, ou seja, 60% dessas pacientes, o tumor não é mais encontrado na mama no momento da cirurgia após o término da quimioterapia, principalmente, se esta, for associada a terapias-alvo como o Trastuzumabe e o Pertuzumabe.

 

             A maior vulnerabilidade de mulheres jovens ao diagnóstico avançado pode ser justificada pela falta de ações de rastreamento, de conscientização da população e pela dificuldade de leitura e interpretação dos resultados mamográficos devido à alta densidade mamária. Outro fator extremamente relevante que pode colaborar é a falsa percepção, por muitos profissionais de saúde, de que mulheres jovens não possuem risco de desenvolver câncer, desvalorizando sinais e sintomas iniciais da doença.

 

             O diagnóstico de câncer de mama em mulheres jovens traz grandes desafios, pois essas geralmente se encontram na sua fase reprodutiva, constituindo família e iniciando sua carreira profissional. O tratamento da doença nesse período da vida pode trazer efeitos negativos sobre a estética, fertilidade e graves implicações psicológicas. São pacientes muitas vezes com filhos pequenos, algumas amamentando ou até gestantes, e a maioria delas apresentam-se com tumores em estágios mais avançados.

 

             Vale salientar que a quimioterapia em pacientes jovens leva a menopausa em 20% dos casos, sendo fundamental a preocupação com a fertilidade dessas pacientes, visto que muitas ainda não apresentam a prole constituída. Sendo assim, para todas estas pacientes, deve ser oferecido uma avaliação com um médico especialista em Reprodução Humana, podendo ser coletado e congelado óvulos previamente ao início da quimioterapia.

 

             Além disso, essas pacientes também devem ser avaliadas por um oncogeneticista para avaliar possíveis mutações como nos genes BRCA 1 e 2, que além de aumentar a probabilidade de uma recidiva na mesma mama afetada após o tratamento, aumenta o risco na mama contralateral. Nestas pacientes com mutações BRCA 1 e 2, cabe , se for desejo da paciente, a mastectomia bilateral com reconstrução imediata com próteses, além da retirada cirúrgica dos ovários, pois essas pacientes apresentam uma probabilidade de 30-50% de desenvolver um câncer de ovário durante a vida.

 

             As mulheres jovens devem realizam o autoexame mensalmente no período pós menstrual e serem avaliadas anualmente por um ginecologista. Neste cenário, o papel do ginecologista de fundamental, pois é a porta de entrada destas pacientes que na maioria da vezes apresentam nódulos benignos chamados de fibroadenomas. Mas caso o nódulo apresente crescimento rápido, consistência endurecida, esteja associado a alterações cutâneas e linfonodos axilares aumentados devem ser melhor avaliadas por um mastologista. Além disso, todas as mulheres que estão tentando engravidar, devem realizar um avaliação minuciosa das mamas com exame clínico e exames de imagem.

 

             Hábitos de vida saudáveis como exercícios físicos, ausência de vícios, controle de peso e da dieta estão relacionados com benefícios cardiovasculares e diminuição do risco de câncer de mama. Alguns trabalhos sugerem que 4 a 7 horas de exercício físico por semana pode diminuir o risco do aparecimento do câncer de mama em até 20%. Outro fator relacionado com o câncer de mama é o consumo de bebidas alcoólicas, sendo que alguns estudos demonstraram que a cada 10 gramas de álcool consumidos continuamente, há um aumento de 10% no risco.

 

             Nos casos das pacientes com o diagnóstico de câncer de mama, primeiramente um ponto chave é assumir uma postura otimista em relação ao tratamento, pois na minha concepção é tão importante para o tratamento quanto a cirurgia ou a quimioterapia. A medicina avançou muito nos últimos anos com terapias-alvo e mesmo nesta faixa etária o chance de cura é elevada. Outro ponto fundamental é cercar-se de uma equipe multidisciplinar com competência reconhecida, que envolve além dos médicos, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos e equipe de enfermagem.

 

             Além disso, o câncer de mama não é mais sinônimo de mutilação e perda de autoestima. Em estágios mais avançados, o tratamento conservador ainda pode ser empregado, principalmente em mamas de maior volume, associado a Oncoplástica, que associa a ressecção oncológica associada a técnicas de plástica como mamoplastia redutora, obtendo um bom resultado estético o que contribui excepcionalmente na qualidade de vida e na feminilidade das pacientes.

 

             Em pacientes com mamas pequenas e médias, que apresentam grandes tumores, o tratamento de escolha é a mastectomia. Entretanto, muitas dessas pacientes podem ser beneficiar de uma reconstrução imediata através de próteses mamárias, expansores e retalhos músculo-cutâneos, diminuindo o sentimento de mutilação da perda da mama e preservando a auto-imagem.

 
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